Problemas nos bastidores contribuíram para percepção negativa de "Fênix Negra"

REPRODUÇÃO
"Fênix Negra" está nos cinemas há uma semana e continua mobilizando muito dos papos em Hollywood. Mas não necessariamente de uma maneira positiva. O último filme da franquia sob o bastião da Fox, já que o estúdio foi adquirido pela Disney e os personagens agora estão sob o controle da Marvel, não emplacou nas bilheterias e Hollywood tenta entender o que deu errado.

No primeiro fim de semana a bilheteria foi de R$ 33 milhões e "Fênix Negra" perdeu para "Pets - A Vida Secreta dos Bichos 2" na batalha pelo Box Office. A performance foi abaixo das expectativas da indústria. A aprovação da crítica também é pavorosa. Apenas 23% de críticas positivas, segundo o agregador Rotten Tomatoes. Para se ter uma ideia, "Apocalipse" (2016), consensualmente o pior da série até então, obteve 47% de resenhas positivas.

Somando orçamento, regravações no fim de 2018 e , a Fox gastou mais de US$ 350 milhões com o longa e as projeções de momento dão conta de um prejuízo de US$ 120 milhões. 

Uma reportagem do The Hollywood Reporter nesta semana mostra que o estúdio creditou o fracasso comercial e crítico de "Apocalipse" à quantidade excessiva de explosões e à escala gigantesca, mas não à fadiga da série. "Estávamos errados", admitiu um executivo ouvido pela reportagem. 

A matéria sugere que os produtores de "Fênix Negra" não ficaram satisfeitos com a decisão do estúdio de transferir o longa de fevereiro para junho. Originalmente o filme seria lançado em novembro de 2018, mas regravações se fizeram necessárias tanto pelo final que desagradava os produtores, como pela dificuldade de conciliar a agenda do elenco. 

A preocupação dos produtores seria por ester não ser um filme de verão. Não é mesmo. Assim como "Logan" (2017), lançado em fevereiro, também não o era. James Cameron, produtor de "Alita: Anjo de Combate" e bastante prestigiado na Fox, bateu o pé e conseguiu a mudança na agenda. 

Desse modo, "Fênix Negra", que seria lançado originalmente em novembro de 2018, depois em fevereiro de 2019, acabou expremido entre "Vingadores: Ultimato", "MIB Internacional" e "Toy Story 4", filmes típicos da temporada.

Simon Kinberg, produtor da franquia há algum tempo, que havia coescrito alguns dos filmes e até dirigido a segunda unidade em "Apocalipse", assumiu a direção e o roteiro do novo filme, que desde o princípio foi pensado para ser um ato final da série - isso em um cenário prévio à compra da Fox pela Disney.

A ideia de revisitar uma das sagas mais famosas das HQs, no entanto, é controvertida. A Fênix Negra já havia sido abordada em "O Confronto Final", roteirizado pelo próprio Kinberg, e a apoteose não combinava exatamente com a perspectiva de um filme melancólico. 

Prova disso é que o arco de Jean Grey no filme é problemático. Não há o que fazer com todo aquele poder em termos visuais e narrativos dentro do escopo de um longa-metragem e as soluções aventadas pelo argumento, ainda que inteligentes, são pouco funcionais em termos dramáticos. 

Já os conflitos envolvendo Charles Xavier (James McAvoy), refém do próprio ego, são mais interessantes, o que acaba gerando certo desequilíbrio quando a ideia do longa é preponderar a força gravitacional feminina. Todas as principais demandas narrativas do longa emanam das mulheres. Da subaproveitada personagem de Jessica Chastain aos conflitos de Mística (Jennifer Lawrence) em relação a Charles. 

 A despeito dessas arestas, este é um filme que mimetiza muito bem o que foi a franquia sob a Fox, algo que "Apocalipse" não era e, nesse contexto, representa um desfecho digno para essa era.

A melancolia desses mutantes incompreendidos, a dor do luto, a convivência com a dúvida e o preconceito, todos esses elementos estão de alguma maneira bem urdidos em "Fênix Negra". É justamente essa pavimentação narrativa, combinada com a hesitante estratégia do estúdio para o lançamento, que torna este o mais injustiçado dos filmes da franquia.

Fonte: IG Gente
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