“Quem defende isolamento radical está com prateleira cheia”

Victor Ostetti/MidiaNews
Defesa de isolamento social – para aqueles que puderem fazê-lo –, mas liberdade às atividades econômicas. Essa foi a tônica do discurso do governador Mauro Mendes (DEM), em uma transmissão de pouco mais de 90 minutos feita em suas redes sociais na manhã desta quinta-feira (26).

Aos responder questionamentos da imprensa, o governador criticou fortemente aqueles que são favoráveis ao isolamento de forma “radical”, como forma de conter o avanço da Covid-19 (o movo coronavírus) em Mao Grosso.

Ao classificar como “egoístas” os que fazem essa defesa, Mendes garantiu que continuará pautando as determinações do Executivo com “equilíbrio e sensatez”.

“O momento é de união, equilíbrio, é hora de deixar de ser egoísta, temos que olhar para a sociedade. Vejo alguns defendendo radicalmente o isolamento social. Fazem isso porque estão com dinheiro na conta e com as prateleiras cheias”, criticou o governador.

“Essas pessoas não estão olhando os mato-grossenses que não têm essa mesma realidade. Não estão vendo o caso dos trabalhadores, das microempresas. Essas pessoas não aguentam 15 dias, um mês parados”, emendou.

Vejo alguns defendendo radicalmente o isolamento social, fazem isso porque estão com dinheiro na conta e com as prateleiras cheias

O governador, por diversas vezes, disse que a população precisa manter o rigor, as regras de distanciamento, bem como as medidas de higiene, mas é preciso trabalhar.

Também afirmou que não pretende adotar a postura do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), tampouco seguir uma linha mais extremista, como alguns gestores vêm fazendo.

“A vida de pessoas será arruinada de maneira irreparável se isso durar muito tempo. A virtude está no equilíbrio, para que economia seja preservada. Continuamos a defender o isolamento social. Mas não estamos defendendo o isolamento econômico. São coisas muito distintas”, afirmou.

“Estamos determinando sim muita restrição do convívio social, porém não determinamos paralisia das atividades econômicas. Elas podem ser exercidas, desde que respeitadas as regras sanitárias e que possam minimizar a transmissão do vírus”.

Desequilíbrio social

Em outro momento da transmissão, o governador também foi questionado se considera a possibilidade de que um agravamento do quadro econômico possa levar a população à uma situação de fome, desespero ou convulsão social.

Mendes disse que tem feito alertas neste sentido nos últimos dias e reiterou a necessidade de o próprio Governo continuar desenvolvendo suas atividades.

Segundo ele, não existe qualquer chance de superar o caos se todas as pessoas ficarem “enfiadas em suas casas por 90 dias”.

“Tem gente que aguenta porque está com a despensa cheia. Mas quantos aguentam? A grande maioria não. Temos que pensar nessas pessoas que dependem do trabalho para receber e poder comer. Temos a obrigação de pensar nisso”, disse.

A vida das pessoas será arruinada de maneira irreparável se isso durar muito tempo.

“Tem gente que trabalha hoje, essa semana para comprar a comida para o final de semana ou até para pagar o que já comprou fiado. Temos que ter responsabilidade com essas pessoas”.

Segundo ele, é possível que empresas pequenas ou de médio porte demitam seus funcionários em razão desta pandemia.

“Por isso vou dialogar, continuar conversando com prefeitos pedindo a eles bom senso e equilíbrio para tomar medidas corretas para a doença, sem causar uma doença maior que é um desequilíbrio social e desemprego muito grande em Mato Grosso”, concluiu.

Veja a transmissão:



FONTE: MÍDIA NEWS