Entenda a diferença de lockdown para quarentena decretada por juiz

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Com a pandemia do novo coronavírus, medidas desconhecidas pela maioria, até então, se tornaram parte do cotidiano. Quando se trata de quarentena e lockdown muitas dúvidas surgem e, apesar de serem regimes que buscam manter a população em casa, eles não são sinônimos. Ambas medidas são obrigatórias, diferente do isolamento e do distanciamento social, mas cada uma delas possui um nível de alerta sanitário e de mobilidade populacional diferente.

Na quarentena, o acesso e circulação de pessoas que foram ou podem ter sido expostas pelo vírus é restringido e em locais com contaminação comunitária, como a região-metropolitana, a medida abrange todo território. Já o lockdown é uma medida mais restritiva. Ela segue um padrão internacional e não é exclusiva para situações como pandemias.

Quarentena 

A quarentena é similar ao isolamento horizontal, o que difere é que ela é obrigatória e não opcional. Nessa modalidade, todos aqueles que não trabalham com atividades essenciais devem ficar em casa. Para Cuiabá e Várzea Grande foi determinado judicialmente o prazo de 15 dias, podendo ser renovado, de acordo com a necessidade. Atividades educacionais, de lazer e do comércio são suspensas para evitar aglomeração e a consequente propagação de uma doença. Apesar da restrição, o fluxo e deslocamento não são instituídos. Inclusive o transporte público continua funcionando.

Em lockdown os serviços autorizados a funcionar se restringem à saúde, segurança pública e coleta de lixo. A população fica confinada em casa por tempo indeterminado e aeroportos e rodoviárias fecham.

O toque de recolher também é implantado. Barreiras sanitárias são colocadas nas entradas das cidades, onde geralmente é medida a temperatura das pessoas e verificado se não possuem os sintomas da doença. No caso das barreiras sanitárias, cabe aos gestores regulamentarem como ela vai funcionar. Mas não significam o fechamento das cidades. O que descumprirem as medidas são multados.

Lockdown 

Nessa modalidade há uma paralisação total do fluxo e deslocamento. Ruas e avenidas são interditadas. A circulação de carros e pessoas só pode ocorrer mediante autorização, sendo restrita para transporte de indivíduos aos hospitais, compra de alimentos e remédios em horários pré-estabelecidos. Aqui o governo pode usar de forças armadas, detenções e multas para quem descumprir a determinação.

A cidade é colocada em espécie de “estado de sítio”. Os serviços autorizados a funcionar se restringem à saúde, segurança pública e coleta de lixo. A população fica confinada em casa por tempo indeterminado e aeroportos e rodoviárias fecham.

Ambas medidas só podem ser instituídas por gestores, por meio de leis ou decretos, ou pela Justiça.

Medidas pelo mundo 

Conforme um levantamento feito pela Organização Mundial de Saúde (OMS), dos 24 países mais afetados pela covid-19, 83% adotaram o lockdown e 13% o isolamento vertical. Os países que adotaram lockdown foram África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Canadá, China, Colômbia, Espanha, Estados Unidos, França, Índia, Irã, Israel, Itália, Líbano, México, Nova Zelândia, Reino Unido, Rússia e Singapura. Os que fizeram isolamento vertical são Coreia do Sul, Suécia e Turquia. O 24º país da lista, o Japão, adotou recomendação de isolamento, sem a necessidade de ato normativo, visto que a população cumpriu o que foi estipulado, portanto, não entrou em nenhuma destas classificações.

O que se observa com a pesquisa é que vários fatores influenciam as decisões dos governos, como o comportamento da população e a capacidade de atendimento nas unidades de saúde.

Países que adotaram medidas mais rígidas e tiveram adesão da população, como China e Portugal, logo saíram do confinamento. Países que adotaram medidas mais brandas, como a Turquia e Japão, haviam passados por reformas na saúde e contavam com inúmeros hospitais, além de uma população consciente e assídua nos hábitos preventivos como o uso de máscaras, distanciamento e higiene pessoal.

Já em locais como a Itália, em que no início houve uma resistência ao cumprimento das normas básicas por parte da população, um sistema de saúde limitado, e uma adoção tardia de medidas mais restritas, o número de mortos foi altíssimo.

O Brasil agora figura na lista dos países mais atingidos pelo coronavírus e começa enfrentar o dilema de quais medidas adotar daqui em diante. No país, o lockdown já foi adotado em cidades dos estados do Maranhão, Pará e Tocantins, além de Fortaleza, Niterói, e em parte da zona oeste do Rio de Janeiro.

Mato Grosso

Em Mato Grosso, foi disponibilizado pelo Executivo um decreto com orientações e classificação de riscos. A adoção de medidas está variando de município para município. Cidades como Cáceres, Confresa e Rondonópolis adotaram medidas mais rígidas. Recentemente, uma determinação judicial colocou, a partir de quinta-feira (25), Cuiabá e Várzea Grande em quarentena obrigatória, devido ao crescimento da pandemia e a classificação das cidade em risco muito alto.

Entretanto, se tornou perceptível a resistência por parte da população em cumprir as normas da OMS e os decretos vigentes no Estado e nas cidades. Mato Grosso é líder da taxa de morte diárias na região do Centro-Oeste, registrando mais óbitos que o Distrito Federal (DF) por dia. A taxa de mortalidade é de 10 pessoas cada 100 mil habitantes, conforme informa dados do Ministério da Saúde.

FONTE: REPÓRTER MT