Ariranhas atacam famílias em rio de MT; o que levaram elas atacarem as pessoas?

A ariranha (Pteronura brasiliensis), também conhecida como lontra-gigante, é um animal vertebrado, pertencente à classe Mammalia, família Mustelidae e subfamília Lutrinae, a família das lontras. A ariranha habita ambientes de água doce e sua distribuição ocorre pela América do Sul, em países como o Brasil, Peru, Colômbia, Paraguai, Suriname, Venezuela, entre outros.

Após ataque de ariranhas à duas famílias no Rio Sepotuba no município de Tangará da Serra ( a 240 km de Cuiabá) que tiveram ferimentos graves nas pernas e outras partes do corpo, o Portal ROSARIO NEWS conversou com Caroline Leuchtenberger - Coordenadora de Ariranhas da IUCN e Coordenadora do Projeto Ariranhas, que falou sobre os motivos que podem ter levado aos ataques e as boas condutas para evitar mais acidentes.

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Confira a entrevista:

RN: Diante do ataque de Ariranhas a famílias em rio de MT e que causaram ferimentos graves, o que levou essas ariranhas atacarem as pessoas?

Caroline LeuchtenbergerAriranhas vivem em grupos, são muito curiosas e comunicativas. Sempre que avistam algo diferente no seu ambiente a sua reação é inspecionar, se aproximando, erguendo o pescoço, e em geral, vocalizando sons de alarme (bufos). Essa reação não é um prenúncio de ataque, mas esse comportamento pode assustar as pessoas que não conhecem a espécie. Se ficarmos tranquilos elas perderão o interesse e perceberão que não representamos uma ameaça. A tendência é que elas relaxem e se distanciem. Quando reagimos agressivamente a elas, as ariranhas tendem a fugir, mas em algumas ocasiões podem responder agressivamente. A agressividade pode ser potencializada se houver filhotes na área ou se os animais já tiveram alguma experiência negativa com humanos. Acidentes com ariranhas são raros. Mas é importante compreender os reais motivos que levaram este grupo a reagir agressivamente às pessoas para evitar que outros acidentes voltem a acontecer. Também é importante orientar as pessoas que vivem ali ou usam a área para boas condutas com a espécie, garantindo o convívio respeitoso entre homem e ariranha.

RN: A ariranha é um mamífero carnívoro aquático silvestre de água doce, você sabe dizer em quais locais do estado de MT são encontradas?

Caroline Leuchtenberger - No Brasil a espécie só ocorre na região Amazônica e na Bacia do Alto Paraguai (BAP), onde se localiza o Pantanal e numa área bem restrita do Cerrado, na Bacia Araguaia-Tocantins. No Mato Grosso é possível encontrar ariranhas em rios preservados da BAP (ao Sul) e na região da Amazônia Legal (Centro e Norte). A região de Tangará da Serra representa uma transição entre a BAP e a Amazônia, e a densidade de ariranhas tende a ser menor, apesar de ocorrer lá também.

RN: Segundo alguns estudos as Ariranhas já foram quase extintas, como está a situação da preservação da espécie?

Caroline Leuchtenberger - Ariranhas estão ameaçadas de extinção. Até 1980 ariranhas foram caçadas para exploração de pele, o que levou a espécie a beira da extinção com uma redução de 40% da sua população. Hoje a espécie está extinta na Argentina e Uruguai e, no Brasil, já não ocorre mais nos estados do Sul, Sudeste e Nordeste, incluindo toda a Mata Atlântica.

RN: O que é preciso fazer para evitar acidentes com ariranhas?

Caroline Leuchtenberger - Ariranhas, assim como qualquer outra espécie silvestre, têm uma zona de conforto, se invadimos essa zona, elas irão ativar o seu sistema de alerta. Assim é importante:
manter distanciamento, evite se aproximar da espécie.
caso você se depare com ariranhas, não entre em pânico, fique em silêncio, evite se movimentar muito e não faça movimentos bruscos.
jamais se aproxime de tocas, ou nade próximo a locais que tenham filhotes.
jamais alimente ariranhas, pois elas tenderão a se aproximar das pessoas, aumentando o risco de acidentes.
nunca seja agressivo a ariranhas. Elas poderão reagir agressivamente a você ou a outras pessoas que a encontrarem.
Se convivermos de forma respeitosa com ariranhas, elas perceberão que não somos uma ameaça e a convivência será harmoniosa.

DA REDAÇÃO/ROSARIO NEWS

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