"Irei focar na conclusão do mandato, não participarei das eleições e não decidi em quem votar", diz Prefeito João Balbino


Na eminência de finalizar o seu mandato à frente da Prefeitura de Rosário Oeste, conversamos com o prefeito João Balbino para entender como ele está vendo o processo político que vai eleger o seu sucessor e também para tentar sondar o que ele pensa sobre o discursos dos 6 candidatos a prefeito e 83 candidatos a vereador que disputam as eleições municipais em 2020.

Veja abaixo a entrevista:

Prefeito, hoje é dia 20 de outubro de 2020 e estamos praticamente há dois meses para acabar o seu mandato. Qual o seu foco agora dentro do executivo municipal?

Bom, nesta reta final o nosso objetivo maior é o encerramento do mandato. Temos dois meses e poucos pela frente e a nossa intenção é prestar contas do que fizemos e deixar tudo organizado para que a próxima gestão que entrar na prefeitura possa iniciar um novo governo com a casa em ordem. É muito difícil quando se pega um governo sem rumo. Vamos deixar o governo preparado para que o próximo governo pegue a casa em ordem e com o mínimo de problemas possível. O foco é organizar a casa e deixar tudo redondo para a próxima gestão.

Os discursos de praticamente todos os candidatos criticam a sua gestão. Eles sobem nos palanques e apontam um problema aqui ou ali. Como o Senhor vê essa situação?

Eu acho que o meu papel neste momento não o de é apoiar ou servir de cabo eleitoral para candidato ou candidata algum. O meu papel quando entrei na prefeitura foi pegar a cidade e entregar melhor do que eu peguei. Isso, para que o próximo prefeito trabalhe com mais tranquilidade e possa entregar para o seu sucessor melhor do que ele pegou de mim. Eu não vou apoiar candidato algum. O papel de fazer o sucessor não é meu e sim da população. É ela que precisa avaliar as propostas que estão sendo apresentadas pelos candidatos e escolher quem elas acharem que deve ser o melhor administrador para Rosário Oeste. Em relação às criticas, eu acho natural. Natural porque enfrentamos momentos difíceis. Enfrentamos o pior momento político nos últimos 90 anos. Em nosso Governo fizemos tudo aquilo que estava ao nosso alcance. Mas fizemos tudo? É claro que Não! Existem muitas coisas a serem feitas porque Rosário é muito desafiador. Então é natural que os candidatos apontem esses problemas e dificuldades. A população precisa aprender analisar que alguns candidatos falam algumas coisas por puro despreparo. Alguns também falam por má fé e outros fazem criticas construtivas. Estes são os que devem ser respeitados. Já ouvi alguns discursos que demonstram total despreparo ou desconhecimento por parte do candidato. Rosário Oeste é um dos municípios mais extensos do Estado de Mato Grosso. É um município tem 8.800 quilômetros quadrados. Para se ter uma ideia Nobres tem o dobro da nossa receita e cuida de 3.800 quilômetros quadrado. Rosário tem quase a mesma população de Diamantino. E Diamantino tem uma receita 3 vezes maior que a nossa. Acorizal tem 800 quilômetros quadrado e Rosário tem 8.800 quilômetros quadrado. São áreas e recursos diferentes para administrar. Muitas pessoas sobem nos palanques e falam muitas coisas sem ter conhecimento de causa. Se administrar o município fosse fácil, muitos que passaram por aqui já teriam resolvidos todos os problemas. Precisamos tomar muito cuidado com esses discursos fáceis. Ninguém é eleito para não fazer nada. Se o candidato foi eleito é porque tinha boas propostas para o município e por isso ele recebeu o aval da maioria da população para governar.

Como o Senhor avalia esses discursos? Algum desses candidatos já pediu voto para o Sr.?

São discursos diferentes e como motivações diferentes. É claro que tem candidatos que fazem um discurso coerente e tem propostas boas. Por isso a população precisa aprender avaliar esses candidatos. Deve analisar o perfil e o grupo de cada um. Porque quem vai ajudar governar é quem está junto do grupo. É preciso analisar quem está com quem. Tenho convicção que a população vai saber analisar e escolher a pessoa certa. Eu também ainda estou analisando e ainda não tenho candidato. Até hoje a única pessoa que me pediu voto foi o Nestrazio Ramos. Eu estou à vontade porque neste momento vou fazer o meu papel de cidadão comum. Vou analisar as propostas de cada um. Vou tentar identificar os mais coerentes e vou votar naquele ou naquela que eu achar que é o melhor para Rosário Oeste.

Prefeito, o senhor não tem medo caso seja eleito um candidato da oposição e com isso o Senhor sofra perseguição política depois que deixar o mandato?

De maneira nenhuma. Primeiro porque durante os 8 anos de mandato eu tenho a consciência tranquila de que não fiz nada de errado. Quando andamos certos, dentro da lei, fazemos o que é certo, necessário e possível; não temos essa preocupação em fazer um sucessor para esconder erros de gestão. É como eu disse: estamos trabalhando para deixar o município redondo. Deixaremos uma administração bem organizada para que o próximo gestor tenha uma vida administrativa mais fácil. Com dinheiro em caixa, com remédios nos postos, com tudo funcionando. Sei que é muito difícil para um gestor entrar e começar do zero. Dessa forma, não tenho essa preocupação ou vaidade de fazer um sucessor. Não tenho essa preocupação sobre quem vai entrar aqui no meu lugar. Justamente porque eu não fiz nada de errado. E quem entrar aqui também vai ter que fazer o que é certo. Quem entrar aqui terá a promotoria, o TCE, os conselhos municipais, a Câmara de Vereadores, todos para cobrar a postura do gestor. Ele ou ela também não terá como fugir da responsabilidade de fazer o que é certo.

Nesse sentido, qual a sua posição com relação a sua equipe de governo?

Eu liberei toda minha equipe de governo para apoiar quem eles quiserem. Não fiz reunião com ninguém. Não obriguei ninguém a votar em ninguém. Não obriguei ninguém a entrar na campanha do candidato A ou B. A minha equipe de governo sabe que tem compromisso comigo e com Rosário Oeste somente até o dia 31 de dezembro de 2020. Depois disso é a vida que segue.

Qual a sua relação com os vereadores?

Eu acredito que é uma relação de muito respeito. Até agora não interferiram nas relações institucionais. Tenho respeito por todos. É claro que nesse momento eleitoral os relacionamentos ficam mais sensíveis. Alguns passam a enxergar problemas onde antes não enxergavam. Alguns aumentam o tom da crítica. Mas precisamos respeitar a Câmara como instituição. Eles tem que fazer o papel deles e nós aqui no executivo temos que fazer o nosso papel. Nesse atual momento não tenho problema com ninguém. Eu entendo que nesse momento eleitoral alguns elegem a agressão gratuita ao governo como principal proposta de suas campanhas. Mas a população vai saber avaliar isso também. Fizemos o nosso melhor para cuidar da população rosariense.

Quais são os seus planos para quando deixar a administração?

Eu voltei a estudar e estou me atualizando. Após a entrega do mandato para o próximo gestor eu vou retornar para a minha profissão de Advogado. Graças a Deus tenho uma profissão definida e não tenho a política como profissão ou meio de subsistência. Estou sumido porque estou estudando, voltei a assistir aulas, fazer cursos e me atualizar. Vou me dedicar à minha outra paixão que é a advocacia e o direito. Estou muito feliz com esse momento porque vou fechar um ciclo muito importante da minha vida. Entrei na política em 2013 para contribuir com o município. Já se passaram 8 anos e fiz o que eu pude. Trabalhei bastante e errei muito. Aprendi muito também com os erros. Sofri e passei por momentos difíceis, mas teve também momentos de alegria. Agradeço a Deus por todas as derrotas e vitorias que tive aqui nesses 8 anos. A vida é feita de ciclos; encerra-se um e começa-se outro. Rosário é um município que eu amo. Tudo que eu tenho está aqui. Quando eu entregar o mandato será com o sentimento de dever cumprido. Vou deitar a minha cabeça no travesseiro e pensar que fiz tudo o que eu pude. É lógico que cada gestor é diferente do outro. Cada um tem uma visão diferente do município e das suas necessidades. Tanto o Alex, como o Luiz Fernando, como a Tania, como o Ramos, como o Paulo Lobi e como o Euclides, tem visões diferentes. Aquele que for eleito vai eleger as suas prioridades, montará a sua equipe e fará um governo com suas próprias características.

Assistindo os discursos dos candidatos, praticamente todos atacam o seu governo. Como o Senhor vê isso?

Na verdade todos estão atrás de votos, mas alguns fazem ataques por despreparo e outros por maldade mesmo. O governo não é composto só pelo prefeito. O governo é composto por um grupo de pessoas como secretários, cargos comissionados, contratados e servidores de carreira que são todos servidores públicos e que trabalham pela população. Eu vejo muitas criticas nesse sentido com agressões gratuitas e cheias de ódio. Eu vejo pessoas que quando estavam dentro do governo tinham um posicionamento. Depois que deixaram o governo, mudaram o ângulo de visão. Eu mesmo já fiz parte de um governo, como secretário, e nem por isso saí do governo e fiquei criticando a gestão que participei. Tenho certeza que a população vai saber distinguir. Parece que aqui tem uma cultura de acreditar que: se eu estou com raiva do prefeito, tudo que se faz de bom é por conta do secretário e tudo que se faz de ruim é culpa do prefeito. O Governo é feito por uma equipe. Dentro do Governo não existe um sub governo. É um governo só. É claro que diante da situação atual existe a possibilidade maior de captar recursos para áreas específicas; e aí logicamente o secretário se destaca. Mas é uma engrenagem. Quando se agride um membro do governo está se agredindo o governo inteiro. Nosso governo tem muita vontade e vamos trabalhar até o último dia da nossa gestão procurando fazer o melhor para a população. Sabemos que temos nossas limitações, e se não conseguimos atender todas as pessoas, pode ser por falta de recursos, mas nunca será por falta de vontade.

À partir do ano que o vem o que o senhor espera do próximo prefeito ou prefeita que assumir o seu lugar aqui na prefeitura?

Eu espero de coração que o próximo gestor possa ter a sensibilidade e possa trabalhar em sintonia com o que o povo precisa. Espero que faça melhor e muito mais. Espero que seja um governo justo, equilibrado e bom. Porque à partir do dia 1º de janeiro eu serei promovido a cidadão. Porque como diz Rui Barbosa, o político não está acima do cidadão. Ele está abaixo. Porque o cidadão pode processar e tirar o político, mas o político não pode fazer o mesmo que o cidadão. A partir do dia 1º eu serei promovido a cidadão. Sei que cada um tem suas características e sua forma de governar, mas peço a Deus que o próximo governante faça o melhor para a população.

Rosário Oeste tem neste ano de 2020 uma grande quantidade de candidatos a prefeito e a vereadores. Como o senhor avalia isso?

Eu acho ótimo. Isso é muito bom para a democracia. Quando mais candidatos existir é melhor para a população escolher. São 6 candidatos a prefeito e mais de 80 candidatos a vereadores. A população tem candidatos e propostas para todos os gostos e perfis. Espero que a população analise bem e escolha o que achar melhor.

Se as eleições fossem hoje. Em quem o Senhor votaria em prefeito ou vereador?

Eu não decidi ainda. Também ainda estou analisando tanto os planos de governo como os perfis dos candidatos. É como eu disse antes: até agora o único candidato que me pediu voto foi o Nestrazio Ramos. Estou analisando todos com muito carinho e vou exercer o meu papel de cidadão, votando como eleitor no que eu achar que é melhor para Rosário Oeste.

João você disputou as últimas eleições, primeiro contra o Alex e na última contra o Alex e o Luiz Fernando. Ficou alguma mágoa dessas disputas relacionadas a esses candidatos?

De maneira nenhuma. Eu enxergo as eleições e a politica como um jogo de futebol. As vezes acontece uma entrada mais dura em terminado momento da partida, mas ao final todos vão comemorar juntos. Eu nunca levei pelo lado pessoal. O Luiz Fernando foi meu amigo de infância em Rondonópolis, eu conheço a mãe dele, o conheço e não tenho nenhum problema pessoal com ele. O Alex foi meu amigo quando eu cheguei aqui em Rosário. Disputamos duas eleições. Foram duas batalhas sangrentas, mas não tenho nenhum problema pessoal com eles e espero que eles não tenham comigo também. Todos são candidatos e são merecedores. A Tania foi uma companheira minha de luta. Ela esteve comigo na luta da eleição passada. É minha vice-prefeita. Apesar de nos distanciarmos não tenho nenhum problema pessoal com ela e com nenhum dos candidatos. Aceitos todas as críticas. Acredito que a Eleição é um momento para debatermos ideias e levantar os problemas. Vejo isso como um fator positivo dos candidatos e vejo que todos tem vontade de contribuir com o nosso município. Eu espero que seja feita a vontade de Deus e saibamos escolher e eleger o melhor para Rosário Oeste, independente de quem seja. Todos os candidatos tem o meu respeito e a minha admiração.

Por Biorosario