MT registra aumento de 18% nos casos de acidente de trabalho durante a pandemia

Enfermeiros — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Durante a pandemia de coronavírus, houve um aumento de 18% nos acidentes de trabalho em relação ao mesmo período do ano passado. De janeiro até novembro deste ano, já foram feitas 457 notificações. Alguns profissionais de saúde usam os equipamentos de proteção (EPIs) de forma incorreta e acabam sendo contaminados por doenças como hepatite e HIV.

Um motorista de uma ambulância foi flagrado sem luvas e sem máscara. Só colocou os EPIs quando chegou no Hospital Municipal de Cuiabá. A cena se repete dentro e fora do hospital. Máscara no pescoço e no centro cirúrgico, sem luvas.

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES-MT), os técnicos e auxiliares de enfermagem estão no topo da lista de acidentes de trabalho com material biológico, como, por exemplo, o manuseio de seringas contaminadas. Em segundo lugar estão os enfermeiros. O presidente do Conselho Regional de Enfermagem, Antônio Cesar Ribeiro, explica que a profissão é uma das mais perigosas por ter contato direto com um ambiente de risco biológico.

“A enfermagem ocupa uma das primeiras posições entre as profissões mais perigosas e mais penosas e pela natureza do seu trabalho, tem o contato direto e permanente com o ambiente e submete-se aos 5 tipos de risco: risco biológico, físico, químico econômico e também o alto índice de acidentes com material perfurocortante que tenham contaminação com agentes patológicos como hepatite C, HIV, Aids e o novo coronavírus”, afirma.

De acordo com a coordenadora da Vigilância em Saúde do Trabalho, Lauren Leite, a utilização dos EPIs de forma correta é essencial no ambiente de trabalho.

“A gente precisa ter mais precaução enquanto profissionais da área da saúde e a prevenção é a utilização correta dos EPIs. Os acidentes ocorrem pela falta do cuidado na hora de manipular junto ao paciente, na hora de utilizar e retirar o EPI corretamente, isso também influencia", afirma.

Nos hospitais do estado, em três anos houve um aumento de 78% nos acidentes com contato com o sangue e agulhas. As doenças mais comuns nestes tipos de caso são as hepatites e Aids. A situação é tão preocupante que é tema de um seminário estadual que está sendo transmitido pela internet.

“Através desse seminário a gente busca fazer esse trabalho de conscientização, de treinamento com os nossos profissionais da rede de saúde, com os nossos profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) pra que eles tenham esse entendimento. Primeiro se faz a higienização das mãos, depois usa os EPIs de acordo com a técnica que vai realizar. Pra cada técnica a gente tem um EPI, então se a gente for administrar medicamento, tem que utilizar luva de procedimento, máscara, gorro. Se eu for dar banho em um leito de um paciente eu tenho que utilizar o avental de proteção. Paciente contaminado, a gente tem que utilizar todo o EPI, máscara, luva, gorro, óculos”, afirma.

As transmissões ao vivo pela internet reforçam a importância dos profissionais seguirem corretamente os protocolos de segurança. São medidas que garantem a vida dos profissionais da saúde. O presidente do Conselho de Enfermagem conclui que é preciso fazer protocolos de cuidado para proteger os profissionais.

“O que a gente precisa fazer é construir protocolos de cuidado, protocolos que protejam o trabalhador. Esse é o nosso trabalho, é o que nós temos que fazer, cuidar. E a gente cuida nessas circunstâncias. A medida mais eficaz é a prevenção “, afirma.

As transmissões ao vivo dos seminários estão sendo feitas através do site da Secretaria Estadual de Saúde.

FONTE: G1 MT