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Da aldeia à universidade: Jovem indígena fala sobre o estudo online

Korê Ywa é aluna da UFRRJ e compartilha as dificuldades que tem enfrentado para acompanhar as aulas remotas

11/06/2021 01h06
Por: Redação Fonte: R7 - Alex Gonçalves, do R7*
Korê Ywa, 30 anos aluna na UFRRJ - (Foto: Divulgação/Arquivo pessoal)
Korê Ywa, 30 anos aluna na UFRRJ - (Foto: Divulgação/Arquivo pessoal)

A pandemia do novo coronavírus obrigou estudantes e professores se adaptarem, da noite para o dia, ao ensino remoto. Também colocou em evidência as desigualdades do país, principalmente quanto ao acesso à internet.

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Korê Ywa, 30 anos, pertence ao povo indígena Canela, originária do Maranhão. A jovem, que concluiu o ensino médio pelo EJA (Educação de Jovens e Adultos), conta das dificuldades com o acesso da internet na aldeia para acompanhar as aulas online.

"Com a pandemia as atividades presenciais foram suspensas e eu retornei para a aldeia, mas quando chove, ficamos sem energias por semanas, fora isso, a internet também não funciona muito bem, não consigo abrir aplicativos para assistir as aulas online e os vídeos não carregam", conta a estudante do 3º semestre do curso de educação do campo na UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro).

Korê se mudou para o Rio de Janeiro para estudar. Ingressou em um cursinho pré-vestibular popular chamado "Só Cria" na Rocinha e, após um ano de estudo, conquistou uma vaga na universidade federal. "Foi um período muito difícil, eu não tinha emprego, mas tinha muita vontade de estudar", explica a jovem que fazia artesanato na orla da praia em Copacabana para sobreviver.

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Segundo o co-fundador e coordenador de comunicação do "Só Cria" cursinho pré-vestibular popular da Rocinha (RJ), Caio Oliveira, "o projeto luta pelo acesso da favela à universidade e aos espaços historicamente negados à população periférica", diz;  "Temos como um de nossos objetivos lutar pela aprovação de nossos estudantes no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e demais vestibulares e buscamos construir, para além disso, uma prática de educação popular", explica.

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Korê e seu marido Romeu Tenatore
Korê e seu marido Romeu Tenatore - (Foto: Divulgação/Arquivo pessoal)

A universitária pensou em desistir de frequentar uma universidade diante das dificuldades. "Sou mãe, tenho um menino de 2 meses, e para assistir as aulas eu preciso ir até a cidade mais próxima da aldeia que fica a duas horas de distância em uma estrada de terra", conta. "Tudo fica muito mais difícil quando se tem um bebê e você não tem renda fixa".

Ela recebe auxílio emergencial para custear a alimentação da família. O dinheiro também é usado para as passagens de ônibus da aldeia para cidade. “Estou pensando em me mudar para o alojamento da universidade com meu filho para que eu possa continuar estudando”, diz.

Para Korê a comunidade indígena não recebe apoio para o acesso à educação. “Neste ano, eu inscrevi 11 membros da aldeia no vestibular indígena intercultural da UFG (Universidade Federal de Goiás) para que o cenário possa mudar". A expectativa da estudante é que os indígenas possam ser os futuros professores nas aldeias que vivem. "É através dos estudos que a expectativa de vida aumenta do nosso povo indígena."

De acordo com o estudo Brasil Indígena, realizado em conjunto com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística,) e a Funai (Fundação Nacional do Índio), a população indígena é representada por 305 diferentes etnias somando cerca de 817.963 mil indígenas em todo o país. Ainda de acordo com o estudo são faladas 274 línguas entre as tribos e 17,5% da população indígena não fala a língua portuguesa.

* Estagiário sob supervisão de Karla Dunder

 

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